domingo, 1 de novembro de 2015

Ando

Ando porque temo
temo porque sei da morte
da saída de revés
dos sentidos que habito.

Vivo para o que vi lá, perto
o que dista o certo
aparta o reto
e desliza sob os pés
incertezas, veredas e caminho.

domingo, 24 de maio de 2015

Revira, volta

Depois do suspiro que flagra o cansaço
no toque consentido
no beijo com nada a perder
na surpresa que escondeu o risco

Após reclinar a cabeça
e chorar a incerteza
mirando no olho de quem trai
como se gritasse o que consome
e andasse na borda de uma ponte

No interstício do que se sabe
no intervalo da espera
rindo do absurdo
e de uma vida que envelhecera
no gosto bom e fugaz
do desejo furtado ao tempo

Diante teus olhos grandes e claros
no declinar da mentira
no prescindir da presença
sob a chuva, voltando ao mar de estrelas.