domingo, 24 de maio de 2015

Paz

Depois do suspiro que flagra o cansaço
no toque consentido
no beijo com nada a perder
na surpresa que escondeu o risco

Após reclinar a cabeça
e chorar a incerteza
mirando no olho de quem trai
como se gritasse o que consome
e andasse na borda de uma ponte

No interstício do que se sabe
no intervalo da espera
rindo do absurdo
e de uma vida que envelhecera
no gosto bom e fugaz
do desejo furtado ao tempo

Diante teus olhos grandes e claros
no declinar da mentira
no prescindir da presença
sob a chuva, voltando ao mar de estrelas.

sábado, 28 de junho de 2014

Tempos

Houve tempos
Em que pessoas chegavam
Aportavam canções

Houve passos
Dados sem chão
Na chuva, sem par nem perdão

Houve verbos
Poréns, contudos, entretantos
Silenciados aos cantos

Houve espaços
Para deixar o cansaço
Ter regaço e alento

Ouve o tempo
As canções que ainda pairam

E as pessoas voltarem